Fax e dados de saúde

O que verificar antes de enviar por fax um documento médico em Portugal e quando preferir um canal seguro do SNS.

Em Portugal nenhuma lei proíbe expressamente enviar documentos médicos por fax, mas os dados de saúde são uma categoria especial que o artigo 9.º do RGPD protege de forma reforçada. Entre profissionais, a via prevista são as plataformas do SNS. Se o fax for a única opção, confirme o número, reduza o conteúdo e avise quem vai receber as folhas.

O essencial em quatro pontos

  • A informação clínica pertence às categorias especiais de dados: enviá-la exige medidas de segurança à altura de um risco elevado.

  • Entre centros de saúde, hospitais e farmácias, a receita sem papel e o Registo de Saúde Eletrónico já substituíram grande parte do tráfego de fax.

  • Um fax mal endereçado sai impresso, sem cifra, no aparelho de um desconhecido: confirmar o número é o cuidado que mais pesa.

  • A FaxTelecom cifra o seu PDF em HTTPS até aos seus servidores e apaga-o após o envio, mas a linha telefónica final não é cifrada.

Onde o fax ainda resiste na saúde em Portugal

O fax não desapareceu de todos os consultórios privados, clínicas, lares e serviços hospitalares. Ainda é usado para enviar uma requisição a uma clínica convencionada, responder a uma seguradora que pede um relatório, mandar uma autorização a um centro de medicina física ou entregar um formulário que um hospital só aceita por fax.

Muitas vezes é o próprio utente quem envia. Não tem acesso aos sistemas usados pelos profissionais, e o fax dá-lhe uma via direta para o secretariado de um serviço. Nesse caso está a partilhar os seus próprios dados; o que conta é que o número esteja certo.

No SNS, o uso diminui desde que a receita sem papel e as plataformas da SPMS ligam centros de saúde, hospitais e farmácias; o fax fica como recurso perante um interlocutor privado não integrado ou uma falha informática.

O que a lei exige

Em princípio, o RGPD proíbe no artigo 9.º o tratamento de dados relativos à saúde e depois admite-o em vários casos, entre eles o diagnóstico e a prestação de cuidados por profissionais sujeitos a sigilo. Em Portugal, a Lei n.º 58/2019 assegura a execução do RGPD na ordem jurídica nacional, a Lei n.º 12/2005 trata da informação genética pessoal e da informação de saúde, e o segredo profissional continua a vincular médicos e enfermeiros.

Nenhuma destas normas refere o fax. Exigem, sim, medidas de segurança, técnicas e organizativas, proporcionais ao risco (artigo 32.º do RGPD). Um documento que revela um diagnóstico, uma terapêutica ou um internamento representa um risco elevado: um canal sem cifra, em que não se vê quem recolhe as folhas, só se justifica para envios ocasionais e com cuidados adicionais.

A Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) publica orientações no seu sítio oficial; a sua ordem profissional e os serviços do SNS podem acrescentar instruções próprias.

Fax ou canal seguro: o que cada via protege

A tabela descreve como funciona cada canal. Não os ordena do ponto de vista jurídico: a escolha depende do conteúdo, do destinatário e das orientações da sua ordem e da sua instituição.

Comparação dos canais de envio de dados de saúde em Portugal
CanalO que fica protegidoPonto fracoUso razoável
Registo de Saúde Eletrónico (RSE)Acesso reservado a profissionais autorizados, com registo dos acessosServe para consultar informação, não para enviar a qualquer entidadeConsultar relatórios de um utente seguido noutra unidade
Plataformas do SNS entre unidadesTroca entre profissionais identificados dentro da rede públicaNormalmente limitadas às entidades do SNSReferenciações e pedidos entre centros de saúde e hospitais
Fax tradicionalNada na linha: só a escolha do número protegeAs folhas saem impressas, à vista de quem passaRecurso pontual, destinatário avisado, conteúdo reduzido
Fax online (FaxTelecom)Transferência HTTPS até aos servidores, ficheiro apagado após o envioO mesmo troço telefónico sem cifra de qualquer faxEnvio ocasional sem aparelho, por um utente ou um consultório

Cinco cuidados antes de enviar um documento médico por fax

Garantir o número. Retire-o de uma comunicação recente do próprio destinatário ou peça a confirmação por telefone. Um número tirado de um fax recebido há anos pode hoje pertencer a outro assinante, e basta trocar dois algarismos para um relatório ir parar a mãos alheias.

Perguntar onde está o aparelho. Um fax no balcão de atendimento de uma clínica não tem a discrição de um que está no gabinete do médico. Se estiver numa zona de passagem, combine uma hora para que alguém retire as folhas logo que cheguem.

Assinalar a confidencialidade na folha de rosto. Diga a quem se destinam as folhas, quantas são e para que número ligar de volta, e acrescente um pedido para avisar o remetente e destruir qualquer documento recebido por engano. A folha de rosto não deve ter dados clínicos.

Enviar só o necessário. A página útil de um relatório em vez do processo completo; nada de número de utente se não for preciso, nada de antecedentes sem relação, nada de dados de familiares.

Confirmar a receção. Um telefonema ou uma mensagem depois do envio garante que as folhas chegaram a quem deviam e avisa-o depressa se não chegaram.

O que a FaxTelecom faz e onde termina o seu papel

A FaxTelecom envia um PDF a partir do navegador para um número fixo em Portugal ou noutros seis países, sem criar conta. O ficheiro segue em HTTPS para os nossos servidores, é usado só para transmitir o fax e apaga-se automaticamente a seguir. Não é acrescentada publicidade às suas páginas.

Entre os nossos servidores e o fax do destinatário, o documento passa pela rede telefónica como qualquer outro fax. Esse último troço não é cifrado: é um limite do protocolo, não uma definição que possamos alterar. A FaxTelecom não recebe faxes, pelo que não serve para recolher resultados ou receitas.

Antes da transmissão há dois pontos de controlo: a ligação de confirmação enviada por e-mail e uma contagem decrescente de cerca de 55 segundos durante a qual pode cancelar. Aproveite para reler o número. Para trocas regulares entre profissionais, a resposta certa continua a ser o canal seguro do SNS.

Perguntas frequentes

Um utente pode enviar por fax os seus próprios documentos médicos a um hospital?
Sim. O utente dispõe dos seus dados e pode escolher o fax se o serviço o aceitar. Convém confirmar o número junto do serviço e juntar uma folha de rosto com o seu telefone, para que possam ligar se faltar alguma página.
É proibido enviar dados de saúde por fax em Portugal?
Nenhuma lei o proíbe expressamente. O RGPD exige, porém, uma segurança adequada ao risco, o que torna difícil justificar o fax como via habitual. A CNPD publica orientações atualizadas no seu sítio oficial.
O que fazer se um relatório médico seguir para o número errado?
Contacte logo o destinatário para pedir a destruição das folhas, registe o incidente e avalie se deve ser notificado à CNPD no prazo de 72 horas. A nossa página sobre faxes enviados por engano explica os passos.