Fax e prova no direito francês

Os artigos 1358, 1366 e 1379 do Código Civil francês, lidos do ponto de vista de quem envia um fax.

Um fax pode ser apresentado a um tribunal francês: o artigo 1358 do Código Civil admite qualquer meio de prova, salvo quando a lei disponha de outro modo. A verdadeira questão é outra: o que demonstra ele? Um fax é uma cópia. O artigo 1379 confere a uma cópia a força do original se for fiável, e é o juiz quem avalia essa fiabilidade. O relatório de transmissão confirma uma ligação a um número concreto, com data, hora e número de páginas. Nada diz sobre o texto exato dessas páginas, nem sobre quem as retirou do tabuleiro. E logo que uma lei ou um contrato imponha uma forma (documento assinado acima de 1500 €, carta registada, escritura notarial), o fax por si só não basta.

Três regras do Código Civil francês a conhecer

Artigo 1358: qualquer meio de prova é admissível, salvo exigência legal em contrário. É a porta de entrada. Um fax passa por ela tal como uma fotografia, um e-mail ou um depoimento escrito. Para os atos entre comerciantes, o artigo L110-3 do Código Comercial francês aponta no mesmo sentido.

Artigos 1359 a 1362: para um ato jurídico relativo a uma quantia ou valor superior a 1500 € (montante fixado por decreto), exige-se prova escrita. Um fax isolado vale então, no máximo, como «começo de prova por escrito» (artigo 1362): torna a alegação plausível, mas tem de ser completado por outro meio, como testemunhas, presunções ou correspondência posterior.

Artigos 1366 e 1379: o primeiro dá ao documento eletrónico a mesma força que ao papel, desde que o seu autor possa ser identificado e a sua integridade esteja garantida, da criação à conservação. O segundo trata das cópias: uma cópia fiável vale como o original, e a fiabilidade fica à apreciação do juiz. A presunção de fiabilidade prevista por decreto exige garantias técnicas (impressão digital, carimbo temporal, arquivo) que um fax comum não reúne. Um fax recebido em papel rege-se sobretudo pelas regras da cópia; recebido como ficheiro, levanta ainda as questões do artigo 1366.

O relatório de transmissão, linha a linha

Antes de confiar num fax, convém saber o que o seu relatório diz de facto. Eis quatro ideias feitas, confrontadas com o conteúdo do documento.

  • O que confirma: uma ligação bem-sucedida

    Número marcado, data, hora, duração, número de páginas, estado «OK»: estes dados resultam do diálogo entre as duas máquinas, com o aparelho remoto a confirmar cada página recebida. O remetente não os fabrica com um clique, ao contrário de uma captura de ecrã.

  • O que não mostra: o texto enviado

    Um relatório indica «3 páginas», não quais. Alguns aparelhos imprimem uma miniatura da primeira página; é um indício, raramente suficiente. A ligação entre relatório e documento constrói-se à parte, com o exemplar arquivado, a folha de rosto e referências cruzadas.

  • O que não mostra: que alguém leu

    Um fax partilhado num corredor pode imprimir páginas sem que ninguém olhe. O relatório termina no tabuleiro de saída. Não abrange a distribuição interna, a leitura, nem o momento em que a pessoa certa ficou a saber.

  • O que não mostra: quem é o autor

    A identificação do cabeçalho configura-se livremente na maioria dos aparelhos, e uma assinatura digitalizada é apenas uma imagem. Para ligar um conteúdo a uma pessoa são precisos outros elementos — precisamente a exigência de identificação que o artigo 1366 impõe ao documento eletrónico.

Quatro situações em que o fax não cumpre o requisito

Carta registada obrigatória
Denúncia de um arrendamento habitacional, notificações previstas no contrato, interpelações que devem seguir essa forma: quando a regra impõe o correio registado com prova de entrega (ou a sua versão eletrónica qualificada), nenhum outro canal a substitui, por mais rápido que seja.
Escritura notarial ou forma solene
Compra e venda de imóveis, doação, convenção antenupcial: estes atos passam por um notário. O meio de transmissão nada altera nessa formalidade. Nem fax nem PDF a substituem.
Mais de 1500 € sem outros elementos
Um compromisso acima do limiar exige um documento assinado. O fax pode servir de começo de prova por escrito, desde que algo mais o sustente: uma transferência bancária, correspondência, execução parcial, testemunhas.
Um prazo a iniciar ou a cumprir
Quando um direito depende da data de receção (pré-aviso, contestação, recurso), é essa data que terá de provar, e é fácil contestá-la se só tiver um relatório de envio. Nesse caso, é mais seguro um canal cuja data faz fé por natureza.

Montar um dossiê sólido em torno de um envio

  1. Arquive tudo no próprio dia

    O PDF exato, o comprovativo de transmissão e a folha de rosto, guardados com o mesmo nome ou na mesma pasta. Com a FaxTelecom, a opção de avisos de receção em PDF (2,99 € com IVA, só debitada quando a entrega se confirma) dá-lhe um documento datado para o pedido e outro para a transmissão.

  2. Faça o documento indicar o número de páginas

    Coloque «página 1/4» no rodapé, um assunto preciso e uma referência (número de processo ou de fatura) na folha de rosto. O número do relatório corresponde então a um conjunto identificável.

  3. Deixe um rasto do lado do destinatário

    Uma chamada anotada na agenda, um e-mail do tipo «enviei-lhe hoje de manhã por fax o nosso orçamento n.º 2026-118, 4 páginas» ou uma resposta escrita do destinatário pesam muitas vezes mais do que o próprio relatório: vêm de um terceiro ou levam-no a reagir.

  4. Use o fax naquilo em que é bom

    Quando o que está em jogo é importante, use a forma prevista na lei ou no contrato e guarde o fax como complemento ou para quem o exige. Um bom dossiê combina canais em vez de apostar tudo num só.

As suas perguntas sobre o fax como prova

Um fax é aceite como prova em França?
Em princípio, sim: o artigo 1358 do Código Civil francês abre a prova a qualquer meio, salvo disposição em contrário. O que fica incerto é o seu peso. O juiz avalia-o em função do que é preciso demonstrar, das eventuais exigências de forma e das outras provas apresentadas.
Posso rescindir um contrato por fax?
Depende do contrato e da lei aplicável. Se for exigida carta registada com aviso de receção, o fax não a substitui. Se não houver forma imposta, o fax pode servir, mas terá de conseguir provar a receção: preveja uma confirmação por outro canal. Releia a cláusula de rescisão antes de enviar.
O comprovativo de transmissão equivale a um aviso de receção?
Confirma que a máquina remota aceitou um determinado número de páginas, e quando. É prova de entrega técnica, não de leitura, e não descreve o conteúdo. Junto com o exemplar enviado e uma folha de rosto que anuncie o número de páginas, ganha muito em credibilidade.
Um contrato assinado e devolvido por fax é válido?
Um contrato pode formar-se pelo simples acordo das partes, salvo se a lei impuser uma forma. Mas a assinatura recebida por fax é uma reprodução: não é um original nem uma assinatura eletrónica nos termos do artigo 1367. Em caso de contestação, valerá o que o juiz lhe reconhecer. Para um compromisso importante, peça o original ou uma assinatura eletrónica e procure aconselhamento.